O objetivo deste blog é comentar sobre o terceiro setor e em especial a Vila Fraternidade, Organização não governamental localizada na baixa de Coutos.

14.3.05

Inclusão Social

Não existe exclusão social. Tudo o que foi dito sobre exclusão social nega a própria concepção de exclusão. Em rigor quando se relata dolorosas situações do que chamam de exclusão, falam também das dificuldades econômica, social e política decorrentes da exclusão.
Tem sentido que se pense, ainda que de modo insuficiente que exclusão de fato sociologicamente não existe. Ela é na verdade na sociedade moderna um momento da dinâmica de um processo mais amplo.
A lógica do sitema captalista é o mercado, é o movimento, é a circulação. O captalismo tomou as terras dos camponeses, para que o capital pudesse dar a terra um uso moderno, racional.
Ao mesmo tempo o capitalismo proporcionou uma relocação da mão de obra para indústria e para outros setores, assim como trabalhar em sua ex-propriedade em troca de salários.
A sociedade capitalista desenraiza, exclui, para incluir de outro modo, segundo suas regras e lógica. O problema está justamente nessa inclusão.
Por que agora nós percebemos a exclusão e antes não percebiamos?
Provavelmente, porque antes, logo que se dava a exclusão, em curtíssimo prazo, se dava também a inclusão: os camponeses eram expulsos do campo e eram absorvidos pela indústria, logo em seguida. A exclusão não tinha visisbilidade como exclusão porque eles eram excluidos e reincluidos, em outro plano, num outro modo de viver, de pensar a vida, de trabalhar, e assim por dante.
O problema da exclusão começou a se tornar visível nos últimos anos porque começa a demorar muito a inclusão: o tempo que o trabalhador passa a procurar trabalho começou a se tornar excessivamente longo e frequentemente o modo que encontra para ser incluido é o modo que implica certa degradação.
Atualmente as pessoas excluídas, em geral camponeses expulsos da terra, ou próximos da possibilidade da expulsão porque não conseguem mais sobreviver naquele pedaço de terra. São reabsorvidos como escravos, trabalham pela comida e frequentemente menos que a comida.
MARTINS, José de Souza. Exclusão social e a nova desigualdade, São Paulo: Paulus, 1997.

9.3.05

A Vila Fraternidade

A Faculdade da Cidade do Salvador através do seu corpo dicente (alunos: Irvan Cidral, José Martiniano, Juciara Cintra, Djalma Freitas, Dinamar, Andréia), atendendo às necessidades de um trabalho a ser realizado junto a entidades assistenciais e organizações não governamentais, que atuam na Cidade Baixa e bairros adjacentes, vem unir o trabalho de pesquisa experimental dos citados alunos ao serviço social prestado aos excluídos dessa importante região.

O prazer em ajudar o próximo

Oscar Wilde, escritor irlandês, escreveu um ensaio publicado em livro no ano de 1895, cujo título é “A Alma do homem sob o socialismo”.

“As emoções do homem são despertadas mais rapidamente que sua inteligência: e, como ressaltei há algum tempo em um ensaio sobre a função da critica, é bem mais fácil sensibilizar-se com a dor do que com a idéia. Conseqüentemente, com intenções louváveis embora mal aplicadas, atiram-se, graves e compassivos, à tarefa de remediar os males que vêem. Mas seus remédios são parte da doença”.
Buscar solucionar o problema da pobreza, por exemplo, mantendo vivo o pobre, ou segundo uma teoria mais avançada, entretendo o pobre. Mas isto não é uma solução: é um agravamento da dificuldade. A meta adequada é esforçar-se por reconstruir a sociedade em bases tais que nela seja impossível à pobreza “.

Utopia? Talvez sim, ele também escreveu...

“Um mapa-múndi que não inclua a Utopia não é digno de consulta, pois deixa de fora as terras à que a humanidade está sempre aportando. E eles aportando, sobre a gávea e, se divisa terras melhores, torna a içar velas. O progresso é a concretização de Utopias”.

No Brasil a construção desta sociedade sem os exclusos ainda está longe de se concretizar. No Canadá este patamar de desenvolvimento é uma realidade: indivíduos pobres existem, porém, qual seria o grau de miserabilidade se compararmos com os nossos?
O senso moral nos induz a ajudar as pessoas necessitadas, pois isto faz parte da natureza humana, apesar de culturas, por exemplo, liquidarem os nascidos que apresentam deformidades ou problemas mentais.
É certo dizer que prolongamos o sofrimento dos desfalecidos, abandonados e necessitados? Substituiria a palavra “prolongar” por “amenizar” que por sua vez seria mais justo àqueles que trabalham e assistem diretamente estes cidadãos esquecidos pela sociedade.
Neste contexto surgiram diversas entidades dirigidas por pessoas de boa índole e uma delas é a irmã Murielle Fortin.
Ela veio, originalmente, da cidade de Ottawa no Canadá. A irmã Murielle chegou a Salvador em 1984 e no ano seguinte fundou o Instituto Missionário Maria Mãe do Salvador. Sua primeira obra foi uma creche e uma escola.
A Vila Fraternidade cuja mantenedora é o grupo Asas (Apoio e Solidariedade), foi criada em 2001 para abrigar crianças, adolescentes grávidas abandonadas pelas famílias e idosos carentes. Como a demanda por idosos em situação de exclusão social era muito grande naquela região, as crianças e adolescentes foram transferidas para outras entidades ligadas ao grupo "Asas" da irmã Murielle. A partir desse momento a instituição passou a lidar somente com idosos.
O projeto da Vila Fraternidade é atender 700 idosos que recebe em suas residências assistentes sociais, psicólogos e médicos. A obra abriga somente aqueles que não tem familiares ou encontram-se em situação de abandono. Hoje residem na Vila 42 idosos de ambos os sexos com idades de 61 a 83 anos.
O custo para atender um idoso é altíssimo e requer uma engenharia econômica para contas que nunca fecham. Somente com medicamentos e materiais descartáveis (fraldas geriátricas) se gasta R$ 300,00 mensais por idoso, mas é preciso muito mais que isso para manter a obra funcionando. Custos com alimentação, energia, pagamentos de empregados e impostos elevam as despesas mensais, para doações cada vez menores.
Os empresários locais eventualmente fazem algumas doações e a Prefeitura entra com alguns recursos firmados por convênios. Irmã Murielle vai administrando a sua obra com todas essas carências, mas sempre preservando a dignidade dos idosos.
Em 1986 a irmã fundou a Pastoral da Criança na Bahia. Depois criou e ajudou a criar uma série de obras sociais. Hoje todas as obras ligadas à irmã Murielle atendem a mais de cinco mil crianças. Irmã Murielle consegue transmitir para a aquela população carente o interesse por nascer, crescer e viver.
A Vila Fraternidade também oferece cursos de padeiro, confeteiro, alfabetização para adultos e futuramente marcenaria e costura. Estes cursos são projetos de inclusão dos indivíduos na sociedade, dando-lhe a oportunidade de aprender para crescer.
Se você quiser amenizar o sofrimento de muitos, ajude-nos. Conheça a instituição através deste Blog ou se preferir, vá ao endereço abaixo. Apenas a sua presença junto àqueles que não possuem família já é um ato louvável.


O endereço para visitas, doações e correspondência:
Rua da Fraternidade s / n Coutos (após o Hospital João Batista Caribé).
Salvador – Bahia – Brasil
CEP: 40750-090

Se preferirem, façam suas doações pela conta bancária:
Banco: BRADESCO
Agencia: 366
Conta: 4948-4